{"id":1150,"date":"2020-09-21T11:29:01","date_gmt":"2020-09-21T14:29:01","guid":{"rendered":"http:\/\/nordesteimprensa.com.br\/?p=1150"},"modified":"2020-09-21T11:29:02","modified_gmt":"2020-09-21T14:29:02","slug":"funcionario-tenta-barrar-estudante-de-psicologia-em-mercado-na-ba-por-usar-short-curto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nordesteimprensa.com.br\/index.php\/2020\/09\/21\/funcionario-tenta-barrar-estudante-de-psicologia-em-mercado-na-ba-por-usar-short-curto\/","title":{"rendered":"Funcion\u00e1rio tenta barrar estudante de psicologia em mercado na BA por usar short curto"},"content":{"rendered":"\n<p>Um estudante de psicologia foi \u00e0s redes sociais para denunciar um caso de preconceito sofrido em um supermercado no bairro de Itapu\u00e3, em Salvador. Ao\u00a0<strong>G1<\/strong>, neste domingo (20), ele explicou que tentaram impedir sua entrada no estabelecimento por dois funcion\u00e1rios por causa da roupa que ele vestia, que segundo o seguran\u00e7a do local, n\u00e3o era para homens.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marcos Pascoal, de 25 anos, o caso aconteceu no supermercado Walmart, na noite de s\u00e1bado (19). O estudante conta que foi impedido por um funcion\u00e1rio que tinha defici\u00eancia e que fazia sinais de negativo quando ele tentava entrar no estabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu estava entrando no supermercado com minha amiga, na porta tinha um funcion\u00e1rio com defici\u00eancia, que na hora que fui entrar, apontou para o meu short e fez sinal de negativo, de que eu n\u00e3o poderia entrar ali. Eu de primeira n\u00e3o entendi, achei que fosse uma brincadeira de tamanho absurdo, olhei para o lado e estava um seguran\u00e7a, que n\u00e3o me respondeu nada&#8221;, contou Marcos Pascoal.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu questionei, \u2018oxente\u2019 o short? Eu questionei, mas como a pessoa n\u00e3o falava, ela s\u00f3 se comunicava atrav\u00e9s de gestos, mas gestos foram suficientes para poder n\u00e3o deixar eu passar. Eu coloquei mais um p\u00e9 para tentar entrar e ele fez o sinal novamente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O rapaz conta que a a\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio chamou a aten\u00e7\u00e3o dos outros clientes que estavam no local.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas estavam passando no momento, tinham pessoas pagando no caixa, o caixa fica perto da porta, a gente estava sendo encarados, uma situa\u00e7\u00e3o ruim. Eu abaixei o short de tanta vergonha e ainda assim n\u00e3o estava bom para a pessoa que estava na porta, que era esse funcion\u00e1rio. Ai ele fazia o sinal de negativo tamb\u00e9m&#8221;, contou.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu abaixei ainda mais e ele fazia o sinal de negativo. Eu entrei mesmo assim, vi v\u00e1rias pessoas com o short curto l\u00e1 dentro, mulheres inclusive, com o short mais curto que o meu e isso me deixou possesso, indignado, porque eu j\u00e1 fui outras vezes nesse mercado e vejo homens com short curto, mulheres e por que eles n\u00e3o s\u00e3o barrados? O que eu tenho diferente para ser barrado?&#8221;, questionou Marcos Pascoal.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem precisou abaixar o short por duas vezes para conseguir ser &#8220;liberado&#8221; a entrar no supermercado. Dentro do estabelecimento, Marcos Pascoal ajeitou o short e foi repreendido mais uma vez com gestos, pelo funcion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ai novamente o funcion\u00e1rio veio apontando para o meu short, fazendo sinal de negativo, fazendo men\u00e7\u00f5es auditivas, mas que n\u00e3o dava para entender. Depois do constrangimento de novo na hora de sair, eu n\u00e3o me dei, perguntei qual era o problema com meu short, o que tinha e por que n\u00e3o poderia entrar?&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudante decidiu perguntar ao seguran\u00e7a o que estava acontecendo e ouviu que ele n\u00e3o poderia entrar no local com o short que estava, porque ele era feminino.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ai o seguran\u00e7a, que era a pessoa que falava, veio me justificando: \u2018Voc\u00ea tem que entender, voc\u00ea tem que entender\u2019. Eu s\u00f3 fiz perguntas na verdade, pedi para ele me explicar e ele repetia a mesma coisa: \u2018Voc\u00ea tem que entender\u2019 falando com o tom de voz mais alto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele disse que eu tinha que achar um ponto de consenso. Ele falou que as mulheres s\u00e3o mais femininas, isso n\u00e3o est\u00e1 em v\u00eddeo, porque minha amiga n\u00e3o tinha come\u00e7ado a gravar ainda. As mulheres s\u00e3o femininas e por isso podem entrar, eu sou homem, masculino n\u00e3o pode usar isso&#8221;, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu perguntava para ele qual era a justificativa do mercado para n\u00e3o deixar eu entrar e ele respondendo que era porque eu era homem. O argumento dele n\u00e3o era por causa de traje de banho,\u00a0o argumento dele era porque homem n\u00e3o poderia usar short curto&#8221;, contou.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No v\u00eddeo eu n\u00e3o xinguei, n\u00e3o gritei, n\u00e3o quis fazer \u2018barraco\u2019, porque n\u00e3o ia resolver minha situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ia ajudar&#8221;, disse Marcos Pascoal.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante entrevista ao&nbsp;<strong>G1<\/strong>, Marcos Pascoal contou que mora no mesmo bairro onde fica o mercado. Ele disse que j\u00e1 foi l\u00e1 outras vezes e que j\u00e1 viu mulheres e outros homens com o mesmo traje.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso \u00e9 horr\u00edvel, porque eu n\u00e3o fui no mercado para receber li\u00e7\u00e3o de moral e nem para passar por esse constrangimento na porta. Eu fui procurar pelo meu produto e passei por essa situa\u00e7\u00e3o&#8221;, disse o estudante.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele apontava para as crian\u00e7as como se eu fosse algum tipo de mau exemplo. Por que as crian\u00e7as n\u00e3o podem me olhar de short curto? Elas podem olhar as mulheres e eu n\u00e3o? Eu sou uma aberra\u00e7\u00e3o? Que absurdo \u00e9 esse?&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcos Pascoal pretende registrar um boletim de ocorr\u00eancia na segunda-feira (21).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se a pessoa que est\u00e1 \u00e0 frente desse estabelecimento tem uma opini\u00e3o e essa opini\u00e3o me julga com n\u00e3o digno de ficar naquele ambiente por causa da minhas roupas, como se eu fosse algo negativo para as crian\u00e7as, essa opini\u00e3o precisa ser guardada ou trabalhada em uma terapia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A partir do momento em que essa opini\u00e3o tenta me barrar, atrapalhar meu acesso em um espa\u00e7o dito como um local p\u00fablico, interfere no meu direito, a\u00ed a gente tem um grande problema&#8221;, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que diz o supermercado?<\/h2>\n\n\n\n<p>Em nota, o Grupo BIG, respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o do supermercado, informou que o fato ocorrido no supermercado de Itapu\u00e3 \u00e9 &#8220;inadmiss\u00edvel e n\u00e3o corresponde aos procedimentos e valores da empresa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa informou que vai tomar medidas cab\u00edveis, como o afastamento do seguran\u00e7a terceirizado e que est\u00e1 em contato com o cliente, colocando-se \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para toda assist\u00eancia necess\u00e1ria nesse momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m em nota, o Grupo BIG reiterou que n\u00e3o aceita situa\u00e7\u00f5es como essa e refor\u00e7ou o pedido de desculpas ao cliente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte G1 Bahia<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudante de psicologia foi \u00e0s redes sociais para denunciar um caso de preconceito sofrido em um supermercado no bairro de Itapu\u00e3, em Salvador. 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